ZIZINHA MAXIXE, Opereta burlesca de costumes nacionais em 3 atos (incompleta)

Apresentada como opereta burlesca de costumes nacionais imitada do francês por xxx em 3 atos, o anúncio da peça ocultava o nome do ator Machado, José Machado Pinheiro e Costa (1850-1920), autor da “imitação” ou adaptação. Estreada em 20 de agosto de 1985, no teatro Eden Lavradio, no Rio de Janeiro, tinha como protagonista uma ex-engomadeira, mulher de faca e calhau, e certamente dançarina de maxixe. Foram apenas três representações, mas ali foi lançada uma composição que daria muito que falar na cidade e até na crônica política da República.

Tratava-se da música do final do terceiro ato, o Corta-jaca, como ficaria conhecida, camuflada de cateretê, dançada como maxixe e publicada como tango, Gaúcho. Do teatro passou aos palcos ainda mais populares dos chopes-berrantes na virada do século XIX para o XX. O escândalo se deu quando ganhou como palco o Palácio do Catete, sede do governo. Executado ao violão pela primeira-dama do País, Dona Nair de Teffé, em recepção ao corpo diplomático, o Corta-jaca foi alvo de ataque no Senado e terminou por apelidar o governo Hermes da Fonseca (1910-1914).

Edinha Diniz, 2015

letra de

Nº 1 – CORO – ENTRADA
De Cascadura eis-nos chegado
Atrapalhados eis-nos enfim!
Onde é que está Chico Pancada?
O noivo feliz e sua amada
Onde é que está Chico Pancada?
O noivo feliz e sua amada
(bis)
Os convidados já o vêm buscar
Para o consórcio se efetuar
Tra la la la la la la, etc

Nº 2 – NICOLAU
Meu amo atenda ao que lhe digo
Cá dentro com paixão tremenda
Não [seja] Nicolau Fazenda
Se a velha [não] casar comigo.

Nº 3 – CHICO PANCADA
Oh! Quanto é belo o casamento
Coisa melhor certo não há
Mulher bela mesmo importante
Bom dote e [?] [?-rá]
Depois vêm os ternos filhinhos
A dourar-nos a existência
Com carícias e com beijinhos
Té nos fazem ter paciência
Inda há quem diga que um marido
É letra morta nesta vida
Mas eu protesto convencido
Calúnia ser muito atrevida.

Nº 4 – DUETO
Constantino
Do seu noivado o banquete
Não me convinha faltar
Pois só assim poderei
Fundos pesares acalmar
Quando a noiva finda a festa
Pelo rival for conduzida
Fecha-se a porta da alcova
E com ela a minha vida!
Chico Pancada
Olhe, não me masse senhor Titino
Ponha-se ao fresco, [Con-]

Nº 5 – VALSA
Vou ser feliz, ser venturosa
Gozando amor do meu querido
P’ra quem eu só tenho vivido
Tornar-me vou a sua esposa
(bis)
Embora eu tenha escorregado,
Escorregado tem muita gente
Não pode ser exigente
Porque o passado
O passado, [é] passado
Vou ser feliz, ser venturosa
Gozando amor do meu querido
P’ra quem eu só tenho vivido
Tornar-me vou a sua esposa
(bis)

Nº 6 – CORO
Andamos de cá pra lá
Sem podermos descansar!
Roda viva assim não há
Que calor é de abafar
(bis)

Nº 7 – CORO FINAL
Coro
Vamos, vamos, vamos, sem mais tardar, sem mais tardar
Procuremos, procuremos
Antes, antes, antes que possa fugir
Procuremos sem tardança
Mas aos golpes da vingança ele deve sucumbir
Ele deve, ele deve, ele deve sucumbir
Mas aos golpes da vingança ele deve sucumbir
Ele deve, ele deve, ele deve sucumbir
Mas que importa que o traidor
Me riscasse da lembrança?
Já não quero seu amor
Eu quero só minha vingança
(bis)
Vamos, vamos, vamos, sem mais tardar, sem mais tardar
Procuremos, procuremos
Antes, antes, antes que possa fugir
Procuremos sem tardança
Mas aos golpes da vingança ele deve sucumbir
Ele deve, ele deve, ele deve sucumbir
Mas aos golpes da vingança ele deve sucumbir
Ele deve, ele deve, ele deve sucumbir

Nº 8 – CONSTANTINO
Constantino
Por tanto sofrer, por tanta emoção
No peito palpita o meu coração
Por tanto sofrer, por tanta emoção
No peito palpita o meu coração
Se cantando conseguir
Os meus males abrandar
A ventura hei de fruir
O tormento há de passar
Ah!
Amante desprezado
Procura consolação
Dedilha a tua, a tua lira
Em suspiro de canção
(bis)

Nº 9
Anastácia
Ai querida sobrinha
Tem pois paciência
Carolina
Triste sorte é a minha
Que grande indecência
Titino
De noivo eu estouro
Já suado como touro
Já suado como touro
Coro
O noivo onde está?
O noivo onde está?
A que viemos cá?
O noivo onde está?
O noivo onde é que está?
A que viemos cá?
A que viemos cá?
Oh que falta de atenção
Isto parece impossível
Para noiva tão sensível
Noiva assim
Grosseirão
Oh que falta de atenção
Isto parece impossível
Para noiva tão feliz, tão feliz
Oh quanta falta de atenção
Oh que falta de atenção, de atenção

Nº 10 -ZIZINHA
Zizinha
Eis em todo seu esplendor
Coro
A flor da nossa gente
A flor da nossa gente
Zizinha
Já já pra festa incontinente
Coro
Sim marcharemos com valor
Sim marcharemos com valor, com valor
(…)
Vamos brincar
E viva, e viva a Penha

Nº 11 – QUARTETO
Chico Pancada
Vejam senhores a minha vida
Se coisa igual assim já se viu
[Já] pra cadeia e a noiva querida
Com o patife do Tintino fugiu
Zizinha
Muito bem feito senhor Pancada
Ninguém manda ser animal
Pra que me disse
Que se casava
Comigo sim
Lá pro natal
Nicolau (talvez)
Em que assados
[E] tão [?-tados]
[De] tão danadas
Mas filadas!
Chico Pancada
Que remédio tenho
Tenho agora
Senão ir para o xadrez
Mas confesso nesta hora
Não cair noutra vez
Noutra vez

Nº 12 – CORO DE CAPANGAS E ZIZINHA
Zizinha
Suspendam
Coro de capangas
Suspendam
Todos
Eu sou a paz a liberdade
Tra-lá, tra-lá, Tra-lá lá lá lá lá
É mister que já se entendam
Tudo é tranquilidade

Nº 13 – TITINO E CHICO PANCADA
[Chico Pancada]
Eu o ensino
Titino
Esta casa vou deixar, vou deixar
Chico Pancada
Sem mais tardar
Titino
Para não aborrecer
Chico Pancada
Bem dever
Titino
Mas aqui hei de voltar
Chico Pancada
Pra massar
Titino
Por ela quero morrer! Adeus!
Por ela quero morrer
Chico Pancada
Adeus!
Titino
Até a vista
Chico Pancada
Que [can]tista

Nº 14 – COUPLET
Zizinha
Há uma planta conhecida
Por malícia da mulher
E é coisa assaz divertida
Pois murcha quando se quer
Comigo dá-se o contrário
O que é ter felicidade
Tocando-me [?] [moças]
Sou toda eletricidade

Nº 15 – CONSTANTINO
Constantino
Aqui onde me vê
Diante, diante de você
Sou pior do que cobra
Mulher, mulher que não se dobra
Mulher de mau fado
Linho não cortado
[Crimes] dos mais fortes
[Dizer-te motes]
[Pais] são meio [?] [?-ços]
Minha vida é tão feia
Que não estou contente
Se não na cadeia, na cadeia.

Nº 16 – DUETO

Nº 17 – FINAL
Afinal sou a hora da partida
Já podemos ir embora de [corrida]
Coro
Ah! Ah! Adeus carnaval
Ah! Ah! Adeus carnaval

Nº 18 – THOMAZ CANJICA
Thomaz Canjica
Tomem todos bem sentido
Cada qual o seu lugar
Cateretê divertido
Vamos todos já dançar

Nº 19 – CATERETÊ

Obs. Entre colchetes estão indicados trechos pouco legíveis no manuscrito.

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