MANOBRAS DO AMOR, Opereta de costumes cariocas em 3 atos (completa)

Encenada pela Companhia de operetas, vaudevilles, comédias, burletas, mágicas e revistas do Cinema-Theatro São José, Manobras do Amor marcou a estreia em teatro do poeta Osório Duque Estrada (1870-1927), o autor da letra do Hino Nacional Brasileiro. A estreia da peça se deu em 18 de outubro de 1911, ficando em cartaz até junho do ano seguinte e sendo remontada em janeiro de 1913, no mesmo teatro.

Para concorrer com a novidade do cinematographo, o teatrinho da Praça Tiradentes havia inaugurado em julho os espetáculos por sessões a preço de cinema, nos seguintes horários, como registravam os reclames: às 7 horas, às 8 3⁄4 e às 10 1⁄2 horas. Da música, a crítica é só elogio: “deliciosa, bela, encantadora”. Na première, os destaques foram o mimoso fado português [No.3] cantado em duo, bisado, e a imponente Desgarrada portuguesa cantada por todos os artistas e corpo de coros, trisada!
Manobras do Amor foi encenada em 1911.

Edinha Diniz, 2014

letra de Osório Duque Estrada

Nº 1 ABERTURA, instrumental
Nº 2 DUETO

1.
(Fernandinho)
Ai! Que prazer. Ai! Que delícia!
Do céu eflúvio encantador!
Do céu eflúvio encantador!

A alma se funde na carícia
D’um beijo assim, todo de amor!
A alma se funde na carícia
D’um beijo assim, todo de amor!

Se ele porém não te inebria
Devolve-o já, dá-mo outra vez

(Ernestina)
Julgavas que eu não to daria?
Pois toma lá: um, dois e três.

(Os dois)
Ai! Que prazer. Ai! Que delícia!
Do céu eflúvio encantador!
Do céu eflúvio encantador!

A alma se funde na carícia
D’um beijo assim, todo de amor!
A alma se funde na carícia
D’um beijo assim, todo de amor!

2.
(Ernestina)
De beijos só será tecido
Da nossa vida, o rosicler,
Da nossa vida, o rosicler,

Quando tu fores meu marido
E eu for por fim tua mulher…
Quando tu fores meu marido
E eu for por fim tua mulher

Pensando em tal, sinto-me tonta
Do terno amor curvo-me às leis

(Fernandinho)
Pois desde já dou-te por conta
Um, dois e três, quatro, cinco e seis.

(Os dois)
Ai! Que prazer. Ai! Que delícia!
Do céu eflúvio encantador!
Do céu eflúvio encantador!

A alma se funde na carícia
D’um beijo assim, todo de amor!
A alma se funde na carícia
D’um beijo assim, todo de amor!

Nº 3 DUETO

(Rosalia)
Sinto o prazer, sinto alegria
Que esta ventura me prepara
Por que é sabido hoje em dia
O casamento é fruta rara.

(Ernestina)
Estás contente?

(Rosalia)
Estou contente,
Diz a menina muito bem,
Pois só casando pode a gente
Saber que gosto a fruta tem

(Rosalia e Ernestina)
Ai! Ai! Pois só casando pode a gente
Ai! Ai! Saber o gosto que a fruta tem.

Nº 4 GERTRUDES

As horas passo tristemente
Em meio desta solidão
Em que me é dado ouvir somente
O palpitar do coração.

Minh’alma em vão por ele chama
E se dilata em vago anseio
É cada vez mais forte a chama
Deste vulcão que arde em meu seio.

Fraco e vencido
Triste e abatido
Mas aquecido
Com tanto amor

Louco e desfeito
Bate-me o peito
D’amor, d’amor
Bate-me o peito
Tic, Tic, Tic, Tac!
D’amor, d’amor!

Nº 5 SERENATA

1.
(Trovador)
A noite é calma e silenciosa
O astro gentil no céu reluz
A terra em êxtase amorosa
Sorve a tremer beijos de luz.

(Coro)
Do ermo calado
Do céu estrelado
Das moitas do prado
Do cálix da flor

Com mágico encanto
Da noite no manto
Eleva-se um canto
De paz e d’amor.

2.
(Trovador)
Só na tua alma, defendida
Por uma pedra tumular,
Não vibra a queixa mais sentida
Nem entra o raio do luar.

(Coro)
Do ermo calado
Do céu estrelado
Das moitas do prado
Do cálix da flor

Com mágico encanto
Da noite no manto
Eleva-se um canto
De paz e d’amor.

Nº 6 DUETO

1.
(Ernestina)
Ó sim, prudência o caso exige,
Tu na verdade tens razão
Mas sinto um peso que me aflige
E que me oprime o coração

Do peito meu triste agitado
Calmar não posso a imensa dor,
Vendo o meu sonho dissipado
Vendo traído o meu amor!

(continua Ernestina)
Ó sim, ó sim, tudo me diz
Que vou por fim ser infeliz
Chorando estou da ingratidão,
Vítima sou, d’uma traição, d’uma traição.

2.
(Ernestina)
Ó sim, prudência o caso exige,
Tu na verdade tens razão
Mas sinto um peso que me aflige
E que me oprime o coração

Do peito meu triste agitado
Calmar não posso a imensa dor,
Vendo o meu sonho dissipado
Vendo traído o meu amor!

(Rosalia)
Não fale assim, veja o que diz
Que inda por fim será feliz
Não perca a fé, nem a razão
Alvo não é, d’uma traição, d’uma traição.

Nº 7 ERNESTINA

1.
E por que não?
Pensando bem,
O caso é mesmo pra rir
Pra chorar é que não é!
Pra chorar é que não é!

Zombam de mim?
Zombo também
Do vil infame que iludir
Não pôde a minha boa fé!
Não pôde a minha boa fé!

Tra lá lá, trá lá lá
Lá lá lá, lá lá lá
Lá lá lá, lá lá lá

2.
Das boas []*
* A segunda parte da letra não consta dos dois manuscritos conhecidos

Nº 8 ROSALIA E ERNESTINA

1.
(Rosalia)
Teus olhos, contas escuras
São duas Ave Marias

(Ernestina)
Teus olhos, contas escuras
São duas Ave Marias

(Rosalia)
Do rosário de amarguras
Que eu rezo todos os dias

(Ernestina)
Do rosário d’amarguras
Que eu rezo todos os dias

(As duas)
Que eu rezo todos os dias
(bis)

Nº 9 DESGARRADA

1.
(Manoel)
A oliveira bem plantada
Sempre parece oliveira
A mulher que é bem casada
Sempre parece solteira

(Coro)
No coração da mulher
Por muito frio que faça
Há sempre calor bastante
Para aquecer a desgraça

2.
(Rosalia)
Quando Deus criou o mundo
N’um dia fez o luar
Mas pra fazer os teus olhos
Levou um ano a pensar

(Coro)
No coração da mulher
Por muito frio que faça
Há sempre calor bastante
Para aquecer a desgraça

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