DEPOIS DO FORROBODÓ, Burleta em 3 atos e 4 quadros (completa)

Depois do sucesso estrondoso de Forrobodó, verdadeira charge de um baile na Cidade Nova, Carlos Bettencourt (1890-1941), seu co-autor, dá continuidade à desopilante burleta, apresentando os mesmos tipos exóticos e mais alguns, estudados nos famosos bailes do pessoal da lira. Segundo a imprensa, no gênero de música carioca a laureada maestrina Chiquinha Gonzaga acompanha Carlos Bettencourt na gíria capadócia.

Os quatro quadros dão uma ideia clara do caráter popular da burleta:

1º) No salão de barbeiro do “seu” Escandanhas, poeta exímio, cantador de modinhas;
2º) A penetração está difícil, mas o casamento da menina Fina com o Alfredinho põe o porteiro confuso;
3º) Na “zona do mastigo”, quem tem bons dentes e barriga grande é rei;
4º) O “galinheiro” ficou maluco, mas não atrapalhou o baile nupcial.

A entrada triunfal do cordão carnavalesco “Chora na Macumba” com suas evoluções características dá o tom final ao espetáculo. Tudo isso significa enchentes de público no São José, o teatrinho da Praça Tiradentes. A peça estreou em 1913.

 

 

Edinha Diniz, 2014

letra de Carlos Bettencourt

Nº 1 CORO

Nós já estamos amolados
De esperar estamos cansados!
Temos muito que fazer!
Que demora! Que demora!
Isto assim não pode ser!
Que barbeiro vagabundo,
Demorado, sujo imundo!
Só faz barba a conversar!
Que demora! Que demora!
Estamos fartos de esperar!

Nº 2 e 3 – TERCETO-DEPOIS DO FORROBODÓ

1.
Sou roxa por uma dança
Até na guarda eu maxixo
Eu danço desde criança
Nós todos temos rabicho.

No choro sou baluarte
Sou famoso secretário
Eu então porta-estandarte
O choro é nosso fadário.

(Estribilho)
Morro de gozo
No deslizar
Ai que gostoso
Que bom dançar

O choro mata
Nos faz chorar
Vamos mulata
Nós três polcar
(bis)

2.
Na polca faço trejeitos
Na schottisch tenho cuidados
Eu chamo a mulata aos peitos
Somos três cabras sarados

Meu passo é de nove horas
Pois o meu é jocotó
Eu risco por metáforas
Meu Deus que forrobodó!

(Estribilho)
Morro de gozo
No deslizar
Ai que gostoso
Que bom dançar

O choro mata
Nos faz chorar
Vamos mulata
Nós três polcar
(bis)

Nº 4 – CORO

Seu porteiro deixe disso
Deixe de falas fiadas
Não se ponha com feitiço
Pois nós somos convidados.

Deixe disso seu porteiro
Deixe disso olhe que é mau
Não seja assim tão arteiro
Quando não se toma pau!

Nº 5 MODINHA

1.
Simpatia é o sentimento
Que nasce num só momento
Sincero no coração
Sincero no coração

São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração
Numa mágica atração

2.
Simpatia são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim
Nas mangueiras do jardim

Bem longe às vezes nascidos
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim
E que se abraçam por fim

3.
São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso
Que choram nos mesmos ais;
Que choram nos mesmos ais;

São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Os dois poemas iguais
Os dois poemas iguais

4.
Simpatia, meu anjinho
É o canto do passarinho
É o doce aroma da flor
É o doce aroma da flor

São nuvens d’um céu d’Agosto
É o que m’inspira teu rosto…
Simpatia é quase amor!
Simpatia é quase amor!

Nº 6 MODINHA

Moreninha minha vida
Tão amada, tão querida
Meus quindins meu bombocado
Requestado, desejado

Ouve a nota dolorida
Comovida, tão sentida
Deste pobre violão
Que soluça de paixão
(bis)

Nº 6a DUETO

1.
(Maestro)
Quando te vejo minha Ritoca
Não sei que sinto e que sensação
Tenho depois de uma beijoca
Treme e palpita meu coração.

(Rita)
Quando te avisto meu maestrinho
Fico nervosa, sinto calô
Tão pequenino, tão bonitinho,
Tenho ciúmes do teu amô

(Maestro)
Sou te galinho
Cocorócó

(Rita)
Sou tua franguinha
Kiquiriqui.

(Maestro)
Meu amorzinho
De mim tem dó

(Rita)
Meu maestrinho
Vivo pra ti.

2.
(Maestro)
Por tua causa com a batuta
Já não acerto não sei reger,
A minha orquestra já não se escuta
Ando fraquinho, vivo a sofrer.

(Rita)
Deixe-se disso, de fingimento
A culpa é sua, basta marcá
O nosso dia de casamento
Que eu sou mulata para casá.

(Maestro)
Sou te galinho
Cocorócó

(Rita)
Sou tua franguinha
Kiquiriqui.

(Maestro)
Meu amorzinho
De mim tem dó

(Rita)
Meu maestrinho
Vivo pra ti.

Nº 7 NÃO SE IMPRESSIONE

(Guarda)
Forrobodó de massada
Gostoso como ele só,
É tão bom como a cocada
É melhor que o pão de ló

(Coro)
Forrobodó de massada
Gostoso como ele só,

(Guarda)
Xi a zona está estragada

(Coro)
Meu Deus que forrobodó

(Guarda)
Tem enguiço, tem feitiço
Na garganta faz um nó

(Sebastião)
Então seu guarda que é isso

(Coro)
Meu Deus que forrobodó

(Sebastião)
Mas então pelo que vejo
Não apanho um frango só

(Guarda)
Eu vejo que já não vejo

(Coro)
Meu Deus que forrobodó.

Nº 8 CORO

Que bom qu’está tá tá
Que bom que é é é
A ceia olá
O vinho olé!

Vivam os nubentes – tes
E os parentes – tes
Ip! Ip! Hurráh!
Ip! Ip! Hurráh!

Nº 9 ESCANDANHAS, ZEFERINA E CORO

(Zeferina)
Quem quisé dançá comigo
Risque o seu passo no chão,
Mostre que mexe no umbigo
Se qué fazê digestão.

(Escandanhas)
Eu já estou meio bebido
Mas pra fazê digestão
Danço maxixe tremido
Danço o maxixe balão.

Chega mulata
Deixa de manha
Xinga maltrata
Teu Escandanha
Teu Escandanha

(Zeferina)
Galo de briga
De crista empina,
Chega e castiga
Tua Zeferina.

Nº 10 DUETO

(Alfredo)
O teu amor querida flor
No pensamento meu veio pousar,
E aí parou não se afastou
Sem minha vida à tua aconchegar.

(Fina)
Ó meu Alfredo
O teu segredo
Meu coração assim,
Fê-lo bater
Fê-lo bater.

Ai que esquisito
Tremo e palpito
Ó diz meu bem
Qu’és meu até morrer

(Fina)
Serás só meu?

(Alfredo)
Serás só minha?
Serei só teu

(Juntos)
Bela vidinha

(Alfredo)
Sempre unidinhos

(Fina)
Sempre agarrados

(Juntos)
Com mil carinhos
Com mil cuidados.

Nº 11 DUETO

(Barradas)
Minha mulata, meu pirulito
Binte pacotes posso te dar
Tens um vestido muito bonito
Isto é apenas pra começar

(Rita)
Ai seu Barradas, quanto feitiço
Estou nervosa com seu azeite,
Deixe de luxo, deixe-se disso
Qu’o seu arame não sei se aceite

(Barradas)
Chega chega para mim
Qu’eu me chego para ti,
Anda cá meu Serafim
Chega chega para aqui

(Rita)
Larga larga, não segura
Dá de longe o teu dinheiro
Mas que home, que tortura
Bem se vê que é vendeiro.

(Barradas)
Minha mulata, meu pirulito
Binte pacotes posso te dar
Tens um vestido muito bonito
Isto é apenas pra começar

Nº 12 QUARTETO

(Guarda)
Quando vejo uma mulata
Fico todo atrapalhado,
E se alguém então me empata
Viro bicho malcriado.
Viro bicho malcriado.

(Barradas)
Eu então causa esquisita tenho
Cá sempre o meu fraco.
Gosto mais s’ela é negrita
Escorrego o meu pataco.
Escorrego o meu pataco.

(Escandanhas)
A mulata tem perfume
No cangote tão cheiroso
S’ela é boa tem ciúme
Ai meu Deus como é gostoso.

(Maestro)
Se vejo que a mulatinha
A minha música escuta
Não sei que doença é a minha
Sinto tremer a batuta.

Ai mulata!
Que feitiço!
Ai Mulatas!
Que xodó!

Nº 13 ENSEMBLE FINAL

(Madama)
O tango, o can-can
A quadrilha, a polca
A mazurca, o lanceiro
Não fazem maior maravilha
Qu’o Forrobodó brasileiro, brasileiro!

(Coro)
No passo gostoso na hora, na hora
A gente volteia feliz, feliz.

Não há coisa igual lá por fora
Não há coisa igual em Paris, em Paris.

(Madama)
Ah! Qui c’est beau! De forrobodô!

(Todos)
Ai que on c’est bon o forrobodó!

Nº 14 VALSA, instrumental
Nº 14a DUETO – DEPOIS DO FORROBODÓ

(Fina)
De ser coçada é o meu desejo
Ai! que coceira. Ai que aflição
Ou tenho pulga ou percevejo
Pois toda sou comichão.

(Alfredo)
Eu não te posso fazer nada
Também me coço inconsciente
Só se fizermos parcerada
E nos coçarmos mutuamente.

(Fina)
Ah! Coça, coça, coça meu bem
Ai! Que comichão!

(Alfredo)
Coça, coça, coça meu bem
Ai! Que sensação!..

Nº 15 MODINHA – DEPOIS DO FORROBODÓ

Mulata, a ingratidão é uma loucura
Que o coração maltrata!
Ingratidão, palavra que tortura
O nosso amor mulata
O nosso amor mulata!

Nº 16 QUADRILHA, instrumental
Nº 17 FADO DE RODA

Vou fazê uma pregunta
Pregunta bem singulá
Quero que alguém me diga
Quantos peixes tem no má

Vamos provar vamos a ver
Quem tem coragem
De responder, de responder

Nº 18 FADO E CORO

Ah! Que saudades que eu sinto
Do meu lindo Portugal,
E do meu noivo Jacinto
Que agora me quer tão mal

Oh! Que saudades, meu Deus!
Ninguém socorre meus ais!
Saudades dos olhos seus
Que não me querem ver mais!

(Barradas)
Philomena não te lembres
Da tua terra natal
Que o Brasil é boa terra
Terra irmã de Portugal.
(bis, Coro)

Nº 19 DOBRADO CARNAVALESCO

Abram já caminho
Saiam já da frente
Vejam bem pertinho
Toda a flor da gente.
(bis)

Somos bem cotados
Somos sem igual
Os mais aclamados
Pelo Carnaval!
(bis)

Nº 20 MARCHA

1.
Chega pertinho
Puxa a fieira,
Vamos ao vinho
Sem bebedeira.
(bis)

(Escandanhas)
Forma direito
Entra de mão
Engata a jeito
Segue o cordão.
(bis, Coro)
2.
A feijoada
Levou toucinho
Tem picadinho
Bacalhoada
(bis)

(Escandanhas)
Toques de pinho
Carne ensopada
Goles de vinho
Peixe e rabada
(bis, Coro)

Nº 21 CHULA

1.
(Quelemente)
Meu chapéu de paia,
Ó maninha

(Coro)
Meu joque bonnet

(Quelemente)
Vou correr no prado,
Ó maninha

(Coro)
Na ponta do pé
Na ponta do pé
Na ponta do pé

2.
(Escandanhas)
Meu chapéu de paia,
Ó maninha

(Coro)
Meu joque bonet

(Escandanhas)
Vou correr no prado,
Ó maninha

(Coro)
Na ponta do pé
Na ponta do pé
Na ponta do pé

(Todos)
Na ponta do pé.

Nº 22 DOBRADO CARNAVALESCO

Abram já caminho
Saiam já da frente
Vejam bem pertinho
Toda a flor da gente.
(bis)

Somos bem cotados
Somos sem igual
Os mais aclamados
Pelo Carnaval!
(bis)

Nº 23 MARCHA

1.
Chega pertinho
Puxa a fieira,
Vamos ao vinho
Sem bebedeira.
(bis)

(Escandanhas)
Forma direito
Entra de mão
Engata a jeito
Segue o cordão.
(bis, Coro)

2.
A feijoada
Levou toucinho
Tem picadinho
Bacalhoada
(bis)

(Escandanhas)
Toques de pinho
Carne ensopada
Goles de vinho
Peixe e rabada
(bis, Coro)

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